{"id":13051,"date":"2023-02-12T22:49:22","date_gmt":"2023-02-13T01:49:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.peccicaccoadvogados.com.br\/?p=13051"},"modified":"2023-02-12T22:49:22","modified_gmt":"2023-02-13T01:49:22","slug":"bancos-devem-ressarcir-compras-indevidas-com-cartao-por-aproximacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/peccicacco.iwwwo.com.br\/?p=13051","title":{"rendered":"Bancos devem ressarcir compras indevidas com cart\u00e3o por aproxima\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Consumidores v\u00edtimas de furto e golpes t\u00eam buscado a Justi\u00e7a para reaver valores cobrados indevidamente sem a senha<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A tecnologia de pagamento por aproxima\u00e7\u00e3o nos cart\u00f5es costuma ser aplicada para compras de at\u00e9 R$ 200 sem demandar senha, mas consumidores t\u00eam demandado a Justi\u00e7a para tentar reaver valores muito maiores captados por fraudadores que se aproveitaram da inova\u00e7\u00e3o. E os ju\u00edzes t\u00eam de definir quem fica com o preju\u00edzo: os clientes ou os bancos.<\/p>\n<p>Um pedido de delivery em Santo Andr\u00e9 (SP) terminou em uma fatura de R$ 9,8 mil para um cliente do Bradesco, v\u00edtima do &#8220;golpe da maquininha&#8221; \u2013 quando o visor n\u00e3o mostra corretamente o valor que ser\u00e1 desembolsado em uma compra com cart\u00e3o. O pagamento, feito por aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0s 23h40, foi liberado pela institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>Ao perceber o golpe, ele registrou boletim de ocorr\u00eancia na pol\u00edcia e acionou o banco, que n\u00e3o ressarciu a cobran\u00e7a. Processado, o Bradesco se defendeu sob o argumento de que, embora o pagamento tenha sido por aproxima\u00e7\u00e3o, teria havido pedido de senha. Al\u00e9m disso, sustentou que o cliente deveria ter agido com mais cautela e que n\u00e3o teria como ser responsabilizado pela pr\u00e1tica de um crime.<\/p>\n<p>A justificativa n\u00e3o foi aceita pelo juiz Sidnei Vieira da Silva, da 9\u00aa Vara C\u00edvel de Santo Andr\u00e9, que condenou o banco a ressarcir o cliente e a pagar R$ 5 mil em indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, em decis\u00e3o de 23 de janeiro.<\/p>\n<p>O magistrado entendeu que houve falha na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, j\u00e1 que o sistema antifraude n\u00e3o funcionou. Na vis\u00e3o do julgador, o banco poderia ter identificado que se tratava de uma opera\u00e7\u00e3o at\u00edpica, pelo valor e hor\u00e1rio, e ter entrado em contato com o cliente antes de efetivar o pagamento. Al\u00e9m disso, segundo o consumidor, a quantia teria chegado a ultrapassar seu limite de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Outros agravantes seriam que o homem havia entrado em contato por diversas vezes com o banco para lidar com o problema, sem ter sucesso, e at\u00e9 possu\u00eda servi\u00e7o de seguro junto \u00e0 institui\u00e7\u00e3o para evitar transa\u00e7\u00f5es fraudulentas.<\/p>\n<p>&#8220;Assim, se a condena\u00e7\u00e3o n\u00e3o vier acompanhada desta indeniza\u00e7\u00e3o, estaremos ignorando o desgaste emocional suportado pela parte autora e premiando o banco requerido, que deveria investir mais na qualidade e seguran\u00e7a de seus servi\u00e7os&#8221;, afirmou Silva. Ainda cabe recurso da senten\u00e7a.<\/p>\n<p>Um norte nas decis\u00f5es envolvendo golpes banc\u00e1rios \u00e9 a S\u00famula 479 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ). Ela define que &#8220;as institui\u00e7\u00f5es financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no \u00e2mbito de opera\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, o dever de reparar os danos causados ao consumidor n\u00e3o depende de a institui\u00e7\u00e3o ser culpada, mas h\u00e1 exclus\u00e3o da responsabilidade dela se comprovada a inexist\u00eancia do defeito ou houver culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros.<\/p>\n<p>Por isso, os consumidores podem sair derrotados nas demandas relacionadas aos golpes com pagamentos por aproxima\u00e7\u00e3o. A demora em perceber e comunicar o furto de um cart\u00e3o, por exemplo, \u00e9 um dos motivos para que o preju\u00edzo fique na conta do cliente, e n\u00e3o do banco. A resposta depender\u00e1 das circunst\u00e2ncias espec\u00edficas de cada golpe.<\/p>\n<p>Durante uma viagem, uma correntista do C6 Bank percebeu que seu cart\u00e3o havia sido furtado de sua bolsa. Ao olhar o extrato pelo aplicativo, notou diversas transa\u00e7\u00f5es nos dois dias anteriores, que somaram R$ 864,09.<\/p>\n<p>Como as compras foram feitas em pequenos valores, sem mudan\u00e7as significativas em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento de consumo, o banco digital foi desobrigado de reembolsar a cliente por decis\u00e3o do juiz Luiz Fernando Pinto Arcuri, da 1\u00aa Vara C\u00edvel do Foro de Vila Prudente, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ele entendeu que, nesse caso, a causa da perda foi externa, e n\u00e3o por descuido da institui\u00e7\u00e3o. &#8220;O fornecedor \u00e9 respons\u00e1vel por assegurar a seguran\u00e7a, dentro de seu sistema, nas opera\u00e7\u00f5es de sua plataforma, enquanto a parte consumidora \u00e9 respons\u00e1vel pela guarda do cart\u00e3o e de seus dados para evitar a\u00e7\u00e3o de fraudadores, como em caso de furtos e outras fraudes eletr\u00f4nicas&#8221;, afirma o magistrado, em decis\u00e3o do dia 27 de janeiro.<\/p>\n<p>O fato de o cart\u00e3o ter a tecnologia de pagamento por aproxima\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, n\u00e3o seria suficiente para o banco ser responsabilizado por falhas na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, j\u00e1 que h\u00e1 pedido de senha para valores mais elevados, concluiu Arcuri.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es distintas, mesmo que envolvendo compras de valores baixos, houve o entendimento de que o banco poderia ter impedido as fraudes. Foi assim com a cobran\u00e7a por 19 transa\u00e7\u00f5es feitas em uma mesma loja de conveni\u00eancia em um curto intervalo de tempo \u2013 algumas delas no mesmo minuto. Ao fim, essa fatura somou R$ 550,38 em um cart\u00e3o do Mercado Pago.<\/p>\n<p>A empresa disse que, como as compras foram presenciais e com uso de senha, n\u00e3o devolveria os valores. J\u00e1 a cliente afirmou que foi usado o pagamento por aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o juiz Vin\u00edcius Rodrigues Vieira, da Vara do Juizado Especial C\u00edvel de Ribeir\u00e3o Preto (SP), o Mercado Pago precisa estar preparado para inibir esse tipo de pr\u00e1tica e proteger seu sistema de fraudes. Al\u00e9m disso, faria parte do risco do neg\u00f3cio lidar com tentativas de falsifica\u00e7\u00f5es, clonagens e estelionato.<\/p>\n<p>J\u00e1 em outro caso, a impossibilidade de desabilitar o pagamento\u00a0<em>contactless\u00a0<\/em>foi motivo suficiente para que fosse considerado que a institui\u00e7\u00e3o financeira falhou. Por isso, a Pagseguro, dona do Pagbank, precisou ressarcir a cobran\u00e7a de R$ 219,50, mas n\u00e3o foi condenada \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, em senten\u00e7a de dezembro.<\/p>\n<p>&#8220;Se o pr\u00f3prio r\u00e9u reconhece que fornece cart\u00e3o com metodologia de pagamento por aproxima\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ser desativada, est\u00e1 claro que oferece servi\u00e7o inseguro aos seus consumidores, devendo suportar os riscos e preju\u00edzos decorrentes de fraudes praticadas por terceiros que se valham da vulnerabilidade de seu sistema&#8221;, disse a ju\u00edza Amanda Eiko Sato, da 1\u00aa Vara do Juizado Especial C\u00edvel do Foro de Santana, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Procurados pela reportagem, o Pagbank e o Bradesco n\u00e3o quiseram comentar as condena\u00e7\u00f5es. O Mercado Pago tamb\u00e9m n\u00e3o abordou o caso citado, mas orienta que os usu\u00e1rios v\u00edtimas de furto ou roubo cancelem o cart\u00e3o imediatamente, o que pode ser feito via aplicativo ou canais de atendimento.<\/p>\n<p>Os casos citados se referem aos processos 1020350-13.2022.8.26.0554, 1003479-88.2022.8.26.0009, 0000344-49.2022.8.26.0506 e\u00a01027077-95.2022.8.26.0001.<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.jota.info\/justica\/bancos-devem-ressarcir-compras-indevidas-com-cartao-por-aproximacao-06022023#:~:text=A%20tecnologia%20de%20pagamento%20por,que%20se%20aproveitaram%20da%20inova%C3%A7%C3%A3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Consumidores v\u00edtimas de furto e golpes t\u00eam buscado a Justi\u00e7a para reaver valores cobrados indevidamente sem a senha A tecnologia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,7],"tags":[],"class_list":["post-13051","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-direito-civil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/peccicacco.iwwwo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/peccicacco.iwwwo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/peccicacco.iwwwo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/peccicacco.iwwwo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/peccicacco.iwwwo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/peccicacco.iwwwo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13051\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/peccicacco.iwwwo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/peccicacco.iwwwo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/peccicacco.iwwwo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}